
Nesse tempo, a primitiva Sé do Porto não passava duma modesta ermida (construída, segundo a lenda, pelo bispo D. Nónego, nos inícios do séc. X) alcandorada no cimo do morro da Pena Ventosa. Esta ermida foi destruída para dar lugar à nova Sé, que começou a ser construída sensivelmente no mesmo local, no séc. XII, ainda no tempo de D. Teresa.

Paço Episcopal
O início da sua construção data da primeira metade do século XII, e prolongou-se até ao princípio do século XIII.
A construção foi interrompida e retomada várias vezes, ficando terminada nos primeiros anos do reinado de D. Dinis (1279-1325). Mas as obras (acrescentos, melhoramentos, modificações, etc.) nunca mais pararam, ao sabor dos estilos de cada época, já que cada novo bispo queria deixar o seu nome ligado à igreja-mãe da diocese.
Rosácea
Dos tempos do estilo gótico, temos a rosácea da frontaria e o Claustro Gótico ou Claustro Novo que data de finais do séc. XIV, mandado erguer pelo bispo D. João III, homem fiel à nova dinastia de Avis. Não possuía edificações em redor, como hoje, a não ser a Sala do Capítulo (actual sacristia), a chamada crasta velha, e a capela de S. João Evangelista, com a notável arca tumular de João Gordo, Cavaleiro de Malta e almoxarife do rei D. Dinis, com estátua jacente e a Ceia de Cristo. Esta última ficava saliente, no ângulo sudeste, ao lado do terreiro da feira e nas proximidades do Paço Episcopal, a que esteve ligado por uma passagem coberta, possivelmente em madeira, para comodidade dos bispos, no seu trajecto para a catedral.

Claustros
O exterior da Sé foi muito modificado na época barroca. Cerca de 1772 construiu-se um novo portal em substituição ao românico original. As balaustradas e cúpulas das torres também são barrocas. Cerca de 1736, o arquitecto italiano Nicolau Nasoni adicionou uma bela galilé barroca à fachada lateral da Sé.
Pilhada em 1807 durante as Invasões Francesas, o magnífico retábulo em prata do altar do Santissimo (séc. XVII) foi salvo, graças a um diligente sacristão que o cobriu com gesso enganando assim as tropas do general Junot.
No século XVII a capela-mor original românica (que era dotada de um deambulatório) foi substituída por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, construído entre 1727-1729, é uma importante obra do barroco joanino, projectado por Santos Pacheco e esculpido por Miguel Francisco da Silva. As pinturas murais da capela-mor são de Nasoni.
A sé integra três belos órgãos. Um deles, no coro-alto, marca em Portugal um periodo que dá início ao desenvolvimento organístico. Trata-se de um órgão do construtor Jann, o mesmo construtor do órgão da igreja da Lapa (Porto), ambos promovidos pelo esforço e iniciativa do Cónego Ferreira dos Santos.

Sé Catedral
Ao longo dos séculos a Sé Catedral viria a sofrer várias metamorfoses mas nunca a sua beleza se perdeu e continua a ser um importante marco na história da nossa Cidade.
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