quarta-feira, janeiro 18, 2006

Oxigénio

Às 17 horas da próxima quinta-feira, dia 19 de Janeiro, irá realizar-se a conferência "Oxigénio", no Teatro do Campo Alegre (entrada livre). Antecedendo a estreia da peça com o mesmo nome, levada a cabo pela Seiva Trupe, a conferência terá início com duetos para violino de Georg Telemann, como introdução ao tema comum das palestras (séc.XVIII), seguidos da apresentação de uma mensagem gravada em DVD pelo Prof. Carl Djerassi (um dos autores da peça).


As palestras da Conferência "A Propósito do Oxigénio" debruçam-se sobre a época de uma das histórias da peça, a 2ª metade do séc. XVIII, em que Schielle, Priestley e Lavoisier se encontram (ficcionadamente) na corte sueca, em 1777, acompanhados das suas esposas (a outra história decorre no séc. XXI e tem a ver com a atribuição do prémio Retro-Nobel).
Programa:

"Perspectivas Científicas e Culturais Europeias na 2ª Metade do Século XVIII"
Prof. Francisco Ribeiro da Silva (Vice-Reitor e Director da Editora UP)
"Discursos da Ciência e Paradigmas Educativos na 2ª Metade do Século XVIII"
Prof. Zulmira Santos (FLUP)
"Elementos da História da Química do Século XVIII".
Prof. Ana Carneiro (FCTUNL)
Moderador:
Prof. José Ferreira Gomes (Vice-Reitor U.Porto)
Fica o convite para a Conferência e para a Peça!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Feliz Natal!


Para todos votos de um Feliz Natal e um óptimo Ano Novo!

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Em contra-mão


O Porto cada vez mais um grande pólo cultural!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Onde o Mar encontra a Cidade

Miramar

Acender um cigarro na praia, proteger
o difícil estertor da pequena chama. Anular
o vento na manga do teu casaco. Reter
preso entre os dedos o princípio breve
dessa efémera combustão.

Inês Lourenço
Poetisa portuense

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Um dia













Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto (Portugal), em 1919, e morreu em 2004. Estudou filologia clássica na Faculdade de Letras de Lisboa. Estreou em 1944, com "Poesia". Além de poemas, escreveu contos, literatura infantil e ensaios. Traduziu Eurípedes, Dante e Shakespeare. Recebeu inúmeros prêmios, entre os quais destacam-se o "Camões" (1999) e o "Reina Sofía" (2004).

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Exposição "Artur de Magalhães Basto – Historiador do Porto"

Artur Magalhães Basto

Está aberta ao público, entre 29 de Novembro de 2005 e 29 de Janeiro de 2006, uma exposição na galeria da Biblioteca Almeida Garrett – Palácio de Cristal, inserida no programa da Homenagem ao Dr. Artur de Magalhães Basto (1894-1960) promovida pela Universidade do Porto. Este destacou-se como docente da primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, extinta em 1931, onde ensinou Geografia e História. O gosto pelo Magistério levou-o ainda a trabalhar em alguns estabelecimentos do ensino secundário da cidade, com destaque para o antigo Colégio João de Deus. Desde cedo, mostrou interesse particular pela História, apesar de a sua formação de base se situar no campo jurídico (licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa – 1922). Destacou-se enquanto responsável maior pelos arquivos da cidade do Porto: foi Director do Gabinete de História da cidade – hoje Arquivo Histórico Municipal, Director do Arquivo Distrital e Chefe do Cartório da Santa Casa da Misericórdia. No exercício destas funções, para além de deixar marcas da sua personalidade impar, testemunhada pelos muitos louvores que a sua acção foi colhendo, a sua maior virtude foi a de conseguir dar vida a muitos documentos que a “poeira dos arquivos” destas instituições escondeu por largo tempo. Pelo seu persistente trabalho conseguiu transmitir-nos um importante legado sobre a História do Porto, difícil de igualar pela quantidade, pela novidade, pela originalidade mas sobretudo pela capacidade crítica que revela em muitos dos seus textos, artigos, livros e na sequência de 1445 crónicas semanais publicadas no Jornal “O Primeiro de Janeiro”, ininterruptamente, entre 1930 e 1960. Em todos os domínios temáticos conseguiu deixar abundantes contributos para a História Local. Imprimiu ainda dinâmica própria à revista “O Tripeiro” e ao Boletim Cultural da Camâra Municipal do Porto”, periódicos que soube dirigir no melhor sentido. Registamos também a sua aproximação e abertura às principais instituições de formato cultural do seu tempo, às quais não negou colaboração empenhada. Assim aconteceu com o Ateneu Comercial do Porto, com o Clube Fenianos Portuenses e com o Clube Portuense, espaços onde em várias ocasiões mostrou a sua faceta de escutado conferencista.

Galeria do Palácio (Biblioteca Almeida Garrett - Palácio de Cristal)

29 de Novembro ’05 a 29 de Janeiro ‘06
Terças a Sábados das 10 às 18h e Domingos das 14 às 18h.
Comissário: António Barros Cardoso

sexta-feira, novembro 18, 2005

Praça da Liberdade


Agora que tanto se fala do projecto de requalificação da Avenida dos Aliados, parece-me engraçado recordar a evolução da Praça da Liberdade ou melhor do antigo Campo das Hortas onde esta foi construída, e do sítio do Laranjal, ao longo do qual se viria a rasgar a Avenida dos Aliados.
Até aos finais do século XV a cidade do Porto confinava-se ao interior da muralha fernandina, ao longo da qual havia várias portas e postigos. Um desses, aberto em 1408, chamado Postigo dos Carros, deu origem, em 1521, a uma porta com o mesmo nome. Ficava num local que hoje podemos indicar como tendo sido em frente à entrada principal da igreja dos Congregados. Esta Porta abria para a estrada de Guimarães, para o Campo das Hortas e para o Laranjal, onde ainda corria o rio de Liceiras e outros pequenos cursos de água, hoje canalizados.
Ao longo da sua existência, a Praça da Liberdade conheceu, várias designações toponímicas, ao sabor dos acontecimentos que foi testemunhando. Foi aberta no século, XVIII, no então chamado Campo das Hortas (antes de 1711), Casal de Novais (no século XV), Largo da Natividade (depois de 1682, devido à fonte lá construída nesse ano), Praça Nova das Hortas (depois de 1711), Praça da Constituição (l820), Praça Nova (de novo, em 1823), Praça de D. Pedro IV (l833), Praça da República (l3 de Outubro de 1910) e Praça da Liberdade (desde 27 de Outubro de 1910).
A sua construção deveu-se ao progressivo crescimento da cidade e foi o bispo D. Tomás de Almeida (l709-1717), quem mandou abrir na muralha o Postigo de Santo Elói para maior comodidade da população, dotando o então Campo das Hortas com um grande átrio. Nela se registaram os principais factos históricos da cidade desde o século XIX.
Foi lugar de encontro de políticos, escritores e artistas e transformou-se no verdadeiro coração social e político do Porto. Entre os seus marcos ficarão para sempre a morte por forca dos liberais, em 1829, (depois reabilitados como «mártires da liberdade») e nela foi também proclamada a República, pela primeira vez no País, em 31 de Janeiro de 1891. Em 1866, é oficialmente inaugurado o monumento ao rei liberal, uma homenagem da Cidade a D. Pedro IV.
Em 1916, quando a Câmara decidiu rasgar a moderna Avenida dos Aliados e construir, no fecho do topo norte, o majestoso edifício camarário, desapareceram muitos dos velhos edifícios que circundavam a então Praça de D. Pedro IV (entre os quais os emblemáticos cafés Suísso e Guichard, locais «obrigatórios» de encontro de políticos e homens de letras), substituídos pelas modernas construções que agora ladeiam a praça.
Desapareceu também a Fonte da Arca ou da Natividade, uma grandiosa e vistosa fonte seiscentista e os respectivos tanques, que ocupavam o lado ocidental da praça, à entrada da Rua dos Clérigos. O único dos edifícios dos século XIX é o Palácio das Cardosas, ainda existente no local.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Beijo




Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.

Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.

Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,

Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.

Não posso deixar de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.

Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

Silêncio, 1999